Por que somos contra a Black Friday? - Hub Plural

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Por que somos contra a Black Friday?

Super descontos tomam conta das telas e das lojas no mês de novembro até a famosa última sexta-feira do mês, chamada mundo afora de Black Friday

Ofertas chegam a casa dos 70% de desconto em novembro. O que nos faz pensar que no restante do ano os preços devem ser bastante abusivos para que um desconto como esse seja dado.

O número de lojas falsas aumenta 178% no período da Black Friday. Uma empresa especializada em segurança digital tem identificado 5 mil sites fraudulentos por semana, Já Pensasse? Confira como se proteger das fraudes se for aproveitar as promoções.

Você já ouviu falar na sociedade do consumo? Zygmunt Bauman escreveu sobre isso para pensar sobre como a relação com o consumo tem guiado a vida das pessoas. Vamos nos aprofundar um pouquinho nisso?

Porque o Hub Plural não participa da Black Friday?

Se você está acessando as redes sociais, sites, e-mails e vendo TV, certamente já foi impactado inúmeras por anúncios com ofertas “imperdíveis” de Black Friday. Novembro sempre começa assim e sempre termina com uma gastança coletiva e muitas vezes desenfreada.

O dia dedicado as superpromoções começou nos Estados Unidos, sempre na última sexta-feira de novembro. Além de movimentar bilhões em compras, a Black Friday permite que muitos negócios “limpem” os estoques e aumentem o faturamento para renovar os produtos disponíveis para o natal e o ano que se aproxima.

Quando nos deparamos com ofertas que chegam a 70% em novembro, nos perguntamos instantaneamente sobre como a margem de lucro deve ser bastante alta e abusiva no restante do ano.

Nós do Hub Plural, acreditamos e tentamos construir uma relação vida/trabalho saudável. Sem excessos, prezando sempre que possível pelo equilíbrio. É por isso que não participar da Black Friday é muito mais que não aderir a uma promoção, é sobre se posicionar e ser firmes na nossa visão de mundo.

Excessos Geram Problemas Para o Planeta

Tudo em excesso faz mal. A frase pode até ser um pouco batida, mas é bastante certeira. Imagina só consumir açúcar em excesso, plástico em excesso ou até mesmo roupas em excesso.

As chamadas fast fashion, lojas de roupas que produzem dezenas de coleções por ano para gerar sempre o desejo de compra nos consumidores, produziram uma espécie de lixão de roupas no deserto do Atacama.

O lixão é formado por sobras dessa indústria de moda rápida. Produzida para ter um tempo útil curto, as roupas produzidas em excesso têm um custo ambiental altíssimo. Dados da ONU mostram que a indústria têxtil é responsável por 20% do desperdício de água no mundo.

O que nos leva a pensar: se estão te dando 70% de desconto nessa época do ano, estão produzindo em excesso e isso tem repercussões ambientais, como o lixão de roupas novas de coleções passadas, no deserto do Atacama.

O local de trabalho será diferente?

Mas claro que vivemos em um mundo capitalista e não estamos negando isso. A nossa dica é para você aproveitar as promoções com consciência e comprar somente o que realmente estiver precisando. Assim, você se beneficia dos descontos e não colabora com os excessos dessa época do ano.

Como o consumo se transformou em identidade

Um dos maiores intelectuais da atualidade, Zygmunt Bauman, escreveu sobre a sociedade do consumo em diversas obras, obras que falam sobre como a nossa relação com o consumo acaba interferindo, também, no modo como nos relacionamos de maneira “líquida” como ele chama. Ou seja, de um modo descartável.

O fato é que a transformação da sociedade pós revolução industrial acelerou o processo de produção das coisas e, consequentemente, acelerou também o modo como consumimos. Isso transformou o consumo em uma ação central e constante nas nossas vidas.

Consumimos para construir as nossas identidades, o modo como seremos vistos, a posição de mundo que queremos ocupar e, também, o que queremos comunicar para as pessoas.

Para Bauman, ao comprar, nos posicionamos no mundo e marcas se tornam um meio de obter status social. Pelo consumo, tentamos ser reconhecidos pelos outros.

O filósofo chama esse processo de mercantilização da vida, de um modo que todos nós nos tornamos uma espécie de mercadoria. O que nos faz lembrar sobre tooooda aquela discussão do filme Dilema das Redes que mostra como acessamos “gratuitamente” as redes sociais e temos os nossos dados comercializados para gerar mais assertividade às empresas na hora de direcionar os anúncios para os seus público-alvo.

Outro problema apontado por Bauman que vale a pena ser pensado é o mecanismo cruel que mantém a engrenagem do consumo sempre ativa: descarte e frustração são dois elementos fundamentais para formar o ciclo do consumo infinito.

Sabe quando dizem que hoje em dia as coisas são feitas para quebrar? É exatamente isso. Possivelmente, o computador ou smartphone que você está usando para ler esse texto, tem um tempo de vida útil reduzido para que você compre um novo e movimente essa engrenagem.

Bora pensar nisso, antes de comprar por impulso na Black Friday?